A decoração do Palácio de Aranjuez

12 de fevereiro de 2020
A elegância e o classicismo como os principais componentes decorativos do palácio.

Para entender a decoração de estilo classicista, devemos fazer uma menção especial à decoração do Palácio de Aranjuez. Nele, é possível encontrar uma grande variedade de recursos que fazem com que ele seja um centro de referência para o mundo da decoração de salas.

Na verdade, a inspiração está no âmbito francês, onde o estilo clássico teve um grande desenvolvimento a partir do século XVII. A estética do palácio é um conceito que foi visto na Espanha, não apenas em Aranjuez, mas também no Palácio Real de Madri.

Os componentes próprios desse estilo ainda são usados atualmente. Sem dúvida, estética barroca dos séculos XVII e XVIII serviu de referência para que, atualmente, o design de interiores continue a ser trabalhado com base nas abordagens oferecidas pelos palácios da época.   

Um pouco da história sobre o Palácio de Aranjuez

O início da construção do palácio ocorreu no século XVI, durante o reinado de Felipe II. O arquiteto Juan Bautista de Toledo foi encarregado de iniciar essas obras. Mais tarde, Juan de Herrera também viria a participar.

Surgiu um problema no século XVII, quando as obras foram interrompidas até o reinado de Felipe V, no início do século XVIII. No entanto, um incêndio destruiu o edifício. Foi o rei Fernando VI que se encarregou da reconstrução, atribuindo essa responsabilidade ao arquiteto Santiago Bonavía. 

Posteriormente, durante o reinado de Carlos III, houve a expansão de algumas partes, com a participação do famoso arquiteto Francisco Sabatini. Foi aplicado um formato grandiloquente que reflete a imponência e o domínio político ao estilo de Versalhes.

Sem dúvida, o Palácio de Aranjuez se consagrou como um edifício que é Patrimônio da Humanidade.

Quarto de Isabel II

Quarto Isabel II / turismoenaranjuez.com

Um dos quartos mais peculiares e, ao mesmo tempo, mais interessante é o quarto de Isabel II. Neste local, uma série de características realmente particulares foi combinada, fazendo com que ele se diferencie de outros exemplos de quartos reais.

  • O tom amarelo-mostarda prevalece notavelmente, uma vez que ele está presente nos tecidos que estão localizados nas paredes e em alguns outros elementos dispostos pelos tapetes. Atualmente, isso não é comum e, por isso, se configura como um recurso diferencial.
  • Por outro lado, o dourado combina muito bem com a tonalidade descrita acima; pode ser encontrado nos móveis e luminárias. Combinado com a madeira, ele se destaca mais e traz uma maior sensação de calor e brilho. Na verdade, busca-se o luxo e a ostentação.
  • No teto, há uma pintura com a estética do trompe-l’oeil, um recurso típico do barroco. 
  • É possível perceber como todos os cantos estão sobrecarregados. De fato, os tecidos estão presentes de diferentes maneiras. Mas o que é fundamentalmente importante é o dinamismo das curvas dos móveis, sendo este um componente do rococó.

Palácio de Aranjuez: a sala de bilhar

A decoração do Palácio de Aranjuez

Sala de bilhar / turismoenaranjuez.com

Quem disse que o bilhar é um jogo moderno? Como você pode ver, no Palácio de Aranjuez há um espaço dedicado exclusivamente para este jogo. Além disso, houve a preocupação de ambientar o espaço de uma maneira completamente diferente do que concebemos como uma sala de lazer.

É possível perceber uma ambientação completamente ornamentada, por meio de um horror vacui decorativo, através de geometrias, animais e estampas que oferecem uma estética na qual as cores são reduzidas a tons quentes (salmão, ocre…), branco e azul.   

A mesa de bilhar é constituída por uma estrutura inferior completamente decorada com arcos, bolas e dourado. Há uma elegância alternativa para a época, típica do estilo francês.

Antecâmara musical: arte e decoração

Palácio Aranjuez

 

Antecâmara musical / turismoenaranjuez.com

Neste local, a cor amarelo-mostarda volta a se repetir para as cortinas e móveis. No entanto, no chão, há um tapete que cobre toda a superfície com um tom castanho-claro. As paredes estão cobertas de pinturas e, novamente, há um trompe-l’oeil no teto.   

O único contraste entre tantos tons claros é o grená que está nas paredes à meia altura. Ele ajuda a espalhar o calor e, ao mesmo tempo, neutraliza os outros tons de amarelo e castanho que predominam no ambiente.

  • Junquera de la Vega, Paulina; Ruiz Alcón, María Teresa: Guía ilustrada del Real Palacio de Aranjuez, Patrimonio Nacional, 1958.