Os móveis de Frank Gehry, uma exploração desconstrutivista

10 de dezembro de 2019
Os designs de Frank Gehry têm o inconfundível selo da arquitetura desconstrutivista. As linhas curvas e sinuosas, juntamente com materiais experimentais, dão movimento e elegância às suas coleções de móveis.

Frank Gehry não é somente um excelente arquiteto, como também um excelente designer de móveis, em uma constante exploração desconstrutivista. Essa exploração é recorrente em seu trabalho; os seus edifícios são um exemplo claro disso.

Este arquiteto está entre os 10 arquitetos de maior prestígio do século XX. Na Espanha, ele projetou edifícios emblemáticos, como o Museu Guggenheim em Bilbao ou a Vinícola Hotel Marqués de Riscal.

Frank Gehry é desses arquitetos que trabalham a arquitetura a partir de um ponto de vista plástico. Para esse designer, a arquitetura é uma forma de expressão artística. Os seus projetos não buscam ser um edifício, no sentido mais sóbrio da palavra, mas sim uma escultura funcional.

Gehry é um dos arquitetos artífices do desconstrutivismo, que invadiu o mundo do design de móveis no final dos anos 60. Com móveis como as séries Easy Edges ou Experimental Edges, por exemplo, Frank Gehry conquistou o seu lugar no design de móveis.

O começo do seu trabalho

Os móveis de Frank Gehry

Obra de Frank Gehry / cerodosbe.com

Frank Owen Goldberg, seu nome verdadeiro, nasceu em 28 de fevereiro em Ontário, Canadá, mas reside em Los Angeles desde 1947. Ele se formou em arquitetura na Universidade do Sul da Califórnia (UCS) em 1954. Anos depois, também estudou urbanismo na Escola de Design da Universidade de Harvard.

Por volta de 1961, mudou-se com toda a família para Paris, onde trabalhou no estúdio de André Rémonder. A sua permanência nos escritórios da Rémonder permitiu que ele aprendesse sobre o trabalho de arquitetos europeus como Le Corbusier.

Em 1962, ele retornou a Los Angeles para fundar a própria empresa, Frank O. Gehry & Associates. Com isso, ele iniciou uma série de projetos, realizando o seu projeto emblemático, a Casa Frank O. Gehry, em 1979.

Este projeto foi decisivo para que ele alcançasse a fama. Com essa casa, ele firmou as bases de sua carreira como arquiteto de sucesso, com um estilo pessoal.

Desde o início, em seus projetos arquitetônicos, ele conseguiu manejar de forma excelente as perspectivas, a sinuosidade das linhas e os materiais. Frank Gehry sente uma certa predileção por materiais como chapas de metal, madeira recuperada e vidro.

Gehry desenvolveu o desconstrutivismo, um movimento arquitetônico que busca romper com os princípios básicos da arquitetura. Respondendo a essa corrente, ele segue um design não linear com elementos que simulam um movimento constante, criando assim uma visão de caos controlado.

Os móveis de Frank Gehry, exploração desconstrutivista: principais obras

Museu Guggenheim, Bilbao

Museu Guggenheim, Bilbao

Museu Guggenheim / youtube.com

Este edifício, construído em Bilbao, é um dos melhores exemplos da arquitetura de vanguarda do século XX. Com design inovador, o edifício marcou a recuperação do estuário de Bilbao.

Frank Gehry aplicou o seu estilo particular neste edifício. Ele tem inspiração nas formas e texturas da pele de um peixe, sendo considerado uma escultura, uma obra de arte. Assim como na maioria dos edifícios de Gehry, as formas não têm nenhuma razão geométrica.

Vinícola Marqués de Riscal, La Rioja, Espanha

Vinícola Marqués de Riscal, La Rioja, España

Vinícola Hotel Marqués de Riscal / elcomercio.pe

Este projeto também responde à arquitetura escultural de Gehry, com a aplicação de uma visão pessoal dela. As linhas do edifício são sinuosas e sensuais, com curvas com massas complexas.

O edifício é coberto por uma capa de titânio, que foi pintada de rosa, ouro e prata. Essas cores, juntamente com as curvas do edifício, resultam em reflexos de tons avermelhados, assim como o vinho tinto de Marqués de Riscal.

Walt Disney Concert Hall, Los Angeles, Estados Unidos

Walt Disney Concert Hall, Los Angeles, Estados Unidos

Walt Disney Concert Hall / flickr.com

Com formas extravagantes, este edifício é outro exemplo do estilo do arquiteto canadense. As suas linhas parecem desafiar as regras de simetria e harmonia da arquitetura tradicional. As formas externas recriam um barco com as velas abertas.

O edifício é composto por uma série de volumes interconectados cobertos por uma capa de aço. Os volumes são diversos: alguns são ortogonais e outros de forma orgânica e superfícies onduladas. As superfícies envidraçadas servem como um elo entre os diferentes volumes.

A arquitetura deve falar sobre o seu tempo e lugar e, ao mesmo tempo, ansiar pela eternidade.

-Frank Gehry-

Os trabalhos de Frank Gehry, uma exploração desconstrutivista

Frank Gehry é um arquiteto apaixonado pelas curvas e linhas sinuosas, mas que também explora o uso de vários materiais. Essa exploração contínua tem como resultado o design de móveis com materiais que permitem experimentações.

Este é o caso de móveis como a poltrona e a cadeira da coleção Power Play. Esta coleção é feita com madeira de faia dobrada no vapor. Outro exemplo interessante é a coleção Wiggle, com móveis feitos de papelão ondulado e madeira.

Os móveis de Frank Gehry: cadeira Power Play

Os móveis de Frank Gehry: cadeira Power Play

Cadeira Power Play / pacoescriva.com

A empresa Knoll convidou Frank Gehry para projetar móveis de vanguarda. O arquiteto iniciou um processo de experimentação com uma nova visão e aplicação do material e da estrutura.

Em 1991, Frank Gehry apresentou a coleção de cadeiras e mesas em faia laminada. Elas foram exibidas pela primeira vez no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Segundo Gehry, o design dessas cadeiras é inspirado nas estruturas de madeira das caixas de maçã. Quando criança, Frank Gehry brincava com elas, por isso ele as evocava com nostalgia.

Os móveis de Frank Gehry: cadeira Wiggle

Os móveis de Frank Gehry: cadeira Wiggle

Cadeira Wiggle / vitra.com

A cadeira Wiggle foi um marco no design de móveis por causa das formas e materiais aplicados por Gehry. A sua importância é tanta que esta é a cadeira mais premiada internacionalmente pelo seu design.

A silhueta desta cadeira é sinuosa, formando uma série de curvas, feitas com papelão ondulado. Apesar de ser de um material leve, é robusta e estável, e não há a sensação de estar sentado em um móvel de papelão.

O seu design data de 1972, tendo sido concebida mais como uma escultura do que como um móvel. Apesar de sua origem escultural, a empresa Vitra decidiu lançá-la em 1997.

Esta cadeira faz parte da coleção Easy Edges, que consiste em móveis e esculturas em papelão ondulado. Acompanhando esta cadeira, Gehry também projetou um banquinho.

Os móveis de Frank Gehry são a resposta para a exploração desconstrutivista que ele realiza na sua arquitetura. Em resumo, as formas dos seus projetos passaram dos seus prédios para os móveis, seguindo a corrente desconstrutivista.